novembro de 2004.
As eleições na terra do Grande Irmão acabaram tomando de assalto o último Editorial, que deveria tratar da invasão cibernética nos Quadrinhos. No prefácio de Digital Justice, Mike Gold cita um trabalho pioneiro, Shatter, de Peter Gillis e Mike Saenz, publicado em 1985 pela pequena editora First Comics. Esta foi, oficialmente, a primeira revista em quadrinhos feita em computador (um Macintosh 128k. Isso mesmo, meninos, vocês leram direito: 128 kilobytes era toda a memória RAM daquela máquina, e ela não tinha disco rígido, apenas um drive de diskettes). Shatter vendeu sua primeira edição (60.000 exemplares) em menos de uma semana, e teve que ser reimpressa para atender a demanda.
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O Macintosh, e sua interface gráfica revolucionária (tão revolucionária que a Microsoft, vinte anos depois, continua tentando criar algo parecido) era um computador proibido no Brasil daquela época. A lei de "Reserva de Mercado", uma das hilárias bravatas da ditadura militar, impedia a importaçao do equipamento, mas não conseguia impedir sua entrada "não oficial" no Brasil e o surgimento de grupos de usuários entusiastas. Heinar Maracy, um dos criadores do fanzine Macintóshico, que deu origem à revista Macmania, criou, junto com Marcos Smirkoff, a HQ "O caso do gibi desaparecido", publicada na revista Animal número 16, no início da década de 1990. Na mesma edição, surgia o ilustrador Tom B, com a história "life's tough, sometimes".
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dezembro de 2004.
A editora Opera Graphica, que nos queimou a língua ao cancelar seus lançamentos (será que não se pode elogiar, nem dar boas notícias?), nos surpreende de novo, dessa vez positivamente. Em edição conjunta com a revista Rock Brigade, a editora paulista nos apresenta uma coletânea das hilárias histórias de Roko-Loko e Adrina-Lina, criadas por Marcio Baraldi. Se você esteve distraído o bastante para não conhecer ainda o trabalho de Baraldi, agraciado com o prêmio Wladimir Herzog de Direitos Humanos por seus trabalhos socialmente engajados, lembre-se: ele já apareceu neste site, como o amigo que reabriu as portas do Martinelli para Luís Saidenberg.
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| Baraldi, o "sangue bom". |
Roko e Adrina são publicados há quase uma década na revista Rock Brigade, e já se tornaram conhecidos internacionalmente. Nessa nova coletânea, estão reunidas todas as histórias publicadas de 1999 a 2001, compondo um divertido documentário da história do Rock mundial nesse período, já que Roko e Adrina sempre se encontram com bandas reais, se envolvendo em trapalhadas absurdas com elas. Acontecimentos marcantes estão também ali registrados, como as mortes de Joey Ramone, e George Harrison.

Não bastasse o suculento "recheio", o álbum tem embalagem caprichada: são 50 páginas em couchê a quatro cores e capa plastificada, no formato 21 x 27,5 cm. O preço do álbum também é uma boa piada: apenas dez merrequinhas. Ele pode ser adquirido através do site da Rock Brigade. O coração desse velho roqueiro aqui se reanima, quando vê um lançamento assim! Leia mais sobre Baraldi nesse artigo do site Universo HQ.
Olendino